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quando trabalhava na revista valeparaibano, o nosso editor marcelo claret, resolveu dar a capa da edição de maio com os dois mais bem avaliados candidatos a presidência da república. naquela altura, marina deveria ter de três a quatro pontos percentuais. ficou de fora.

serra esnobou o vale do paraíba e até hoje não falou o a revista.
dilma tentou fugir de todos os jeitos, mas o repórter (cláudio de souza) era bom e conseguiu laça-la.
fomos para brasília sem saber se ela iria nos atender. a redação ficou doida por causa dos gastos, mas no fim deu tudo certo.

minha função era trazer o máximo de fotos possíveis da dona rousseff.
o assessor dela me puxou de canto e perguntou como eu queria fazer as fotos. disse que precisava de um retrato posado e de mais algumas durante a entrevista. ele olhou pra mim, piscou com cara de malandro e disse: “como ela está de bom humor, pode ficar tranquilo que te garanto as fotos.”
sugeri fazer o retrato enquanto ainda tinhamos luz natural. de prefereência no jardim do diretório, mas ele negou de imediato.
“quer fazer foto? então tá, mas não lá fora. a gente tem um estúdio profissional com luz e tudo. mas só depois da entrevista. quer?”
fazer o que, né? quero.
acho que ele não quis que fotografasse ela do lado de fora, porque ia aparecer todo o resto da casa. baita piscinão, campo de futebol, churrasqueira. o diretório mais parecia um resort.

depois de esperar quase meia hora numa salinha sem nada pra fazer, a ex-ministra entra na sala, toda sorridente dando beijinhos para quem estivesse em sua frente. como sou discreto, fiquei no canto da sala.

de cara, disse que gostava bastante do “vale do ribeira”, mas que nunca tinha ido. percebe-se que não, já que a revista é do vale do paraíba…
fiz algumas fotos da entrevista, sentei, tomei uma água, levantei, tirei mais algumas, tomei mais água, sentei novamente, tomei café.

lembro que ela ela começou a falar que tinha sido secretaria de minas e energia e que no governo dela, não houve racionamento e que BOOM…
falta luz na casa.
todos rindo, disseram “mas que boca, hein ministra?” haha pra lá, haha pra cá, e a entevista foi seguindo.

depois de quase vinte minutos no breu, dilma mandou saber o que tinha acontecido e pediu para um outro assessor trazer vela.
naquela altura, já estava ficando tenso por causa do retrato que tinha que fazer dela e nada da luz voltar.
o breu era tanto, que eu não conseguia fazer foco. o repórter lia as perguntas com a luz do celular.
comecei a jogar flash na cara dela pra ver se rolava alguma coisa. pelo menos o foco.
depois de uns dez flashes, diretos na cara da candidata, ela olhou pra mim e disse:
“meu filho, agora você está incomodando. meu olho não pode assim. eu uso lente de contato. chega de foto, tá?”
olhei pro visor, dei um sorriso e disse, ‘claro, claro’.

na mesma hora, volta a luz.
na mesma hora…

com a claridade necessária para ver os olhos dos outros, o assessor dá mais duas perguntas para o repórter, olha pra mim e diz de lentamente, como se eu fosse surdo, ” não-vai-ter-mais-foto. ela-está-cansada”.

vamos ver se até domingo ela já descansou.

2 comments
  1. JB said:

    Cade as foto com a vela?

    • cosko said:

      não acharam nenhuma vela na casa..

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